Pena de Morte, solução ou problema?

Pena de Morte, solução ou problema?

 

As recentes execuções de dois brasileiros condenados à pena capital na Indonésia ressuscitaram o tema da pena de morte e os dilemas acerca desta realidade cruel e animalesca, é claro sob a ótica brasileira.

De fato a pena capital soa como um ato cruel, frio e calculista que em tese combate a drogadição ou narcotráfico, entretanto cria um problema sem precedentes entre as autoridades diplomáticas dos países envolvidos.

Sim, embora se respeite as leis próprias do país indoneso é preciso refletir sobre este ato extremo tido como deplorável até o último instante pela diplomacia brasileira e por organismos contrários à pena de morte.

Há sempre uma divisão generalizada sobre o tema que desafia as boas relações políticas, jurídicas, diplomáticas e especialmente traz à tona um questionamento:

A Pena de Morte é solução ou problema?

Certamente ninguém tem uma resposta pronta ou definitiva para a pergunta que ronda os noticiários internacionais, que está presente nas rodas sociais, nas discussões acadêmicas ou populares.

É bem verdade que a pena de morte como prática repressiva no combate aos índices de narcotráfico na Indonésia assusta ou inibe qualquer tentativa por parte das “mulas vivas” de adentrarem com drogas naquele país, mas não exterminam o comércio deste mal que assola todas as nações do mundo.

Leis rígidas e implacáveis contra o narcotráfico são buscadas com euforia na luta contra esta guerra que extermina jovens, desestrutura famílias, arrasa sociedades, aprisiona cérebros geniais, e divide opiniões.

Diante de tudo isso a Sociologia é uma ferramenta indispensável para ajudar na reflexão deste fantasma que amedronta populações e faz girar a roda da fortuna deste estado paralelo com volumosas somas econômicas do crime, travestido de liberdade oculta e ilusória apelidada de droga.

Se a droga traz consigo o rompimento deste contrato social, por outro lado ela escancara a fragilidade do “Estado” na área da segurança, a incapacidade de lidar com o choque mutativo da moral bem como os meandros de uma nova ordem política e econômica.

Em meios às lágrimas daqueles que pranteiam a execução sumária de condenados pelo crime de narcotráfico, emerge um caudaloso rio de desconfiança ou esperança no combate das drogas.

Será preciso remar contra a maré, para retomar os valores ou cláusulas pétreas do convívio harmônico da sociedade com ela mesma, do encontro inevitável deste braço de rio que desemboca no mar da existência humana.

Certo ou errado, cruel ou crível a pena de morte, em pleno Século XXI, parece estar com seus dias contados, enfileirada em sua própria execução e condenada sem habeas corpus a uma discussão sobre sua validade ou eficácia como única arma contra o narcotráfico.       

 

Artigo publicado por Carlos Ferreira da Silva, aluno de graduação do curso de Sociologia na Universidade Paulista - UNIP INTERATIVA - Polo Patos.

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