O ressoar da palavra elegante

Certamente todos estão curiosos em saber o motivo que me levou a escolher este título para meu artigo periódico visto que sou um licenciando em Sociologia e não em Letras. Então, por quê?

Para matar de vez a expectativa de meus interlocutores tratarei de discorrer sobre a temática hora em questão, pois, a mesma tem chamado a atenção de meus astutos e observadores olhos sociais.

Fiz questão de provocar a discussão por entender que uma crise no processo educacional atual seja uma das raízes desta problemática que tem atingido nossas crianças e jovens, criando uma verdadeira nação de “Zumbis intelectuais”.

Sei que choquei ao conceituar como “Zumbis intelectuais” nosso corpo discente, contudo entendamos a nomenclatura, não obstante ao crescente mundo da tecnologia vemos crianças e jovens que mergulham no mundo virtual em detrimento à realidade, à formalidade, à língua e à estrutura gramatical.

Quero simplesmente afirmar que pouco a pouco temos perdido a capacidade de compreender a beleza, a singeleza, a simbologia, a sonoridade e o ressoar da palavra elegante, ou seja, da palavra pronunciada corretamente, escrita com esmero e cuidadosamente colocada.

Nesse contexto é que a reflexiva e direta energia do mundo virtual tem roubado este encantamento da palavra, precisamente excluindo o ator principal desta peça que é o professor ou a comunidade escolar para ser mais claro.

Sim, cada vez que ouvimos uma barbaridade na pobre escrita ou uma cacofania na boca de um educando devemos tomar como  desafio redescobrir a candura da letra e sua magia.

E por falar em letra, vi há algum tempo atrás uma boa iniciativa na internet, especificamente numa rede social instigando a todos a apresentarem algo inusitado: “A letra das pessoas”.

Naveguei neste revolto mar e caí na brincadeira, escrevendo numa folha de papel e detalhe de forma manual e não digital a minha própria letra, e fiquei como expectador a espiar as demais publicações do gênero.

Cautelosamente observei que as pessoas têm uma dificuldade enorme na escrita manual, pois, na maioria das vezes tudo se resolve na ponta dos dedos, numa tela sensível ao toque ou teclados virtuais.

Talvez alguns desavisados imaginem que sou contrário à modernidade, à tecnologia ou pior que esse artigo está recheado de saudosismo. Só que não!

Apenas indago se a tecnologia não tem engolido o lugar sacrossanto da boa gramática, do primordial trato com a formalidade que pede a educação convencional à qual todos nós estamos sujeitos.

Tudo isso fica patente quando solicitamos aos nossos educandos que redijam um pequeno texto, transcrevam o conteúdo de um paradidático ou resumam em relatório uma aula de campo.

 É uma vergonha constatarmos os erros mais comuns, rasteiros, primários presentes nas redações, no ENEM, vestibular ou concursos que vão desde o emprego indevido da vírgula ou de concordância até os absurdos de interpretação textual.

Nem tudo esta perdido há uma luz no fim do túnel, entretanto, precisamos abrir nossos olhos para conjugarmos modernidade e tecnologia sem perder de vista o ressoar da palavra elegante.

*Artigo escrito por Carlos Ferreira da Silva, graduando do curso de Sociologia pela Universidade Paulista - Polo Patos-PB.

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